Atleta com deficiência visual vence barreiras no karatê adaptado

A vida de Dona Cida mudou aos 37 anos, quando a retinose pigmentar lhe tirou completamente a visão. O mundo escureceu diante dos seus olhos, mas não conseguiu apagar sua coragem. Hoje, aos 66 anos, ela segue reinventando a própria rotina com dignidade, força e uma vontade admirável de continuar vivendo tudo aquilo que ama. Entre suas maiores conquistas está a faixa amarela no karatê, símbolo de superação para quem aprendeu a enxergar a vida de outras maneiras.
Há três anos, Dona Cida passou a frequentar as aulas de karatê adaptado no Serviço de Convivência do Centro de Referência de Assistência Social Cacilda Sampaio, no bairro do Vergel. No começo, o medo e a vergonha quase a impediram de tentar. Foi a amizade, através do incentivo de Maria, e o acolhimento da professora Midori Othuki, que abriram esse novo caminho. Aos poucos, entre comandos de direita e esquerda, sons de palmas e movimentos repetidos com paciência e carinho, ela descobriu que ainda era capaz de aprender, evoluir e vencer.
Mais do que golpes e técnicas, Dona Cida encontrou pertencimento. Encontrou risadas compartilhadas, amizades sinceras e um lugar onde nunca foi vista pela limitação, mas pela força que carrega dentro de si. “Fazer karatê é muito bom pra minha mente e alma”, contou emocionada.
A professora Midori, faixa preta 6º Dan de Karatê Shotokan, acompanha sua trajetória desde o início e fala da aluna com orgulho. Segundo ela, Dona Cida sempre demonstrou dedicação e esforço para acompanhar as demais participantes. Por isso, fez questão de incluí-la no exame de mudança de faixa. E ela conseguiu. Hoje, carrega no peito a faixa amarela como quem veste uma vitória construída com coragem silenciosa.
No Cras Cacilda Sampaio, o esporte vai além da atividade física. Ele devolve autoestima, fortalece vínculos e aproxima pessoas que, muitas vezes, já haviam perdido a esperança em si mesmas. Entre movimentos, risos e desafios vencidos, Dona Cida segue mostrando que existem luzes que nem a escuridão consegue apagar.




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